São Vicente no PIB nacional

Por Nelson Faria

Muito se tem regozijado e reivindicado por São Vicente a partir do que produz e representa no PIB Nacional. Nada mais justo! Mas, já foi melhor… Estamos cientes do mal que o centralismo tem causado as demais ilhas na distribuição dos recursos, projecto e oportunidades gerados por todos. São Vicente não foge a regra.

Ora, se em 2017, reportando a dados do INE de 2015, São Vicente era a segunda ilha que mais contribuiu para o Produto Interno Bruto de Cabo Verde em 2015 ao gerar 16 % da riqueza nacional, onde Santiago aparecia em primeiro lugar, teve um peso de 54,9 por cento do PIB. Sal era a terceira colocada com 10,4 por cento do PIB . Com menor contributo apareciam as ilhas de São Nicolau (2,1%), Maio (1%) e Brava (0,8 %).

Em 2018, reportando a dados de 2016, segundo o INE, as ilhas que apresentaram um maior peso na estrutura do PIB de Cabo Verde foram as de Santiago, São Vicente e Sal, representando 52,1%, 14,8% e 14,7%, respectivamente. As economias das Ilhas de Santiago e São Vicente registaram variações negativas de 0,9% e 2,8%, respectivamente, contrariamente à da ilha do Sal, que apresentou um crescimento de 45,3% face ao ano anterior (contribuindo 4,8 pontos percentuais na variação total do PIB). Com menor contributo para o PIB tem-se as ilhas São Nicolau, Maio e Brava, com um peso de 1,8%, 0,9% e 0,7%, respectivamente.

No que concerne ao PIB per capita a tendência manteve-se com o Sal em primeiro, Boa Vista em segundo, pelas particularidades das economias locais, e São Vicente em terceiro. Destaca-se o distanciamento do Sal neste ranking pelo aumento verificado. Regista-se igualmente a redução do PIB per capita das demais ilhas do pódio.

Relativamente a São Vicente, é evidente a perda de protagonismo e de peso na participação no todo nacional. De Santiago, mesmo decrescendo, mantém o mesmo staus e assinala-se, em boa conta, o grande crescimento do Sal e o seu impacto no todo.

Perante este dados, pela dinâmica das ilhas e do que tem sido a realidade do país, não me espantaria que os próximos dados demostrassem a queda de São Vicente para terceiro e subida do Sal para segundo com maior participação no PIB nacional.

Como Mindelense, desejando o contínuo crescimento das demais ilhas e do todo nacional, a questão que se me coloca é como melhorar a participação de São Vicente? Betão, asfalto e calçada são as únicas soluções? Claro que não. Fosse isso já era. Voltamos a questão inicial, do centralismo. Necessariamente as maleitas da centralização devem ter fim para nova vida das ilhas. Caso contrário, apenas continuaremos a constatar o obvio, apesar de alguns esforços de poucos em reverter este quadro. A descentralização deve ser real, visível e sentida como medida estruturante para dinamização da economia e produção das ilhas.

Mas, não menos importante, a governação local deve ser visionária, capaz de explorar as potencialidades e oportunidades existentes, que são muitas, e deve posicionar-se, sem vassalagem partidária, em projectos estruturantes de desenvolvimento do país e da ilha, que fixem massa crítica e capacidade técnica, que criem empregos e riqueza, e nunca acomodar-se em “migalhas” que possibilitam obras eleitoralistas.

Porém, a responsabilidade de melhoria do quadro local não se resume aos poderes governativos. Obriga igualmente a uma postura do cidadão e da sociedade civil comprometidos com a ilha e com o país. Obriga a uma postura correta, crítica e actuante na produção, no trabalho, em “construir hábitos de respeito e cooperação, no combate ao individualismo, capaz de proporcionar alternativas para a política do auto-interesse. Não se deve inibir de representar vozes de grupos marginalizados e excluídos da esfera política e limitar a intromissão de burocracias na condução da vida cotidiana.” Permitindo ser levados pela comodidade, pelo conformismo não haverão resultados diferentes, pelo contrário, a tendência será a evidenciada pelos últimos dados do PIB Nacional.

1 COMENTÁRIO

  1. Essa questão do pib, levantado recentemente foi mais uma mera publicidade, encomendada pelo governo, para nos fazer crer que santiago é que contribui mais, quando pelo contrario é a produtividade que conta. Eles maquiavélicamente não divulgaram o pib per capita que é realmente o que mostra a produtividade das ilhas. O que nunca falam também é que a ilha que contribui com mais de 95% de exportação em cv é a ilha de S.Vicente. MAIS UMA MANOBRA PARA TENTAR LUDIBRIAR OS INCAUTOS O QUE REALMENTE ELES SÃO BONS. Sabendo eles que em termos de produtividade eles iam ficar atras das demais tres ilhas, Boaviasta, Sal e São Vicente, tentam nos aldrabar.

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